terça-feira, 10 de novembro de 2020

SANTA HILDEGARD VON BINGEN, OS BENEDITINOS E A CERVEJA

Foi nas abadias de Saint Gallen, na Suíça e de Weihenstephan, Alemanha que se iniciou a produção da cerveja em mosteiros beneditinos. 

Sabe-se que em 1040 Weihenstephan teve autorização para fabricar e comercializar cerveja, sendo essa a cervejaria mais antiga do mundo ainda em funcionamento.
Coube à monja e hoje santa beneditina e doutora da Igreja, Hildegard von Bingen (1098-1179) uma inovação na receita da cerveja: ela acrescentou um ingrediente chave para a preservação e aromatização da bebida, o lúpulo.

Hildegard era uma amante da cerveja e grande conhecedora das ervas; sabendo dos efeitos do lúpulo no organismo  o acrescentou na cerveja com o intuito também medicinal. Faleceu com 81 anos, uma idade avançadíssima para a época - é provável que a cerveja a tenha ajudado a chegar tão longe. 

Em seu livro “Liber Subtilitatum Diversarum Naturarum Creaturarum”,  ela descreve as qualidades conservantes que o lúpulo dá à cerveja e descreve também sua capacidade calmante, que contribui para o sono e para o relaxamento do sistema nervoso.

É importante lembrar que não há nenhuma menção à cerveja na Regra de São Bento, embora o santo patriarca tenha escrito um capítulo de sua regra exclusivamente dedicado ao consumo de uma outra bebida, o vinho, bem mais popular na Península Itálica, onde viveu S. Bento. 

Trata-se do capítulo 40, “Da medida da bebida”; nele, São Bento permite o consumo moderado da bebida, sem excessos, um quarto de litro por dia.

A cerveja está presente em muitos eventos ligados aos beneditinos: ela tem sido a salvação do mosteiro de Núrsia, na Itália, cidade natal de São Bento (480-547). Esse mosteiro ficou ao menos 200 anos sem monges, pois eles foram expulsos em 1810; apenas foi repovoado por religiosos no ano 2000, a convite do Papa João Paulo II. 

O mosteiro sofreu muitíssimo com um terremoto em 2016, restando intacta no lugar, apenas a cervejaria, que está ajudado nas finanças e contribuindo para a construção de um novo mosteiro.

Os monges da abadia de Grimbergen, na Bélgica, encontraram em 2019, nos seus arquivos a receita perdida de uma cerveja que há mais de 200 anos não era fabricada. Isto pelo fato de a abadia ter sido saqueada durante a Revolução Francesa, sendo na ocasião, a cervejaria destruída. A receita foi encontrada acidentalmente e os religiosos testaram-na, obtivendo grande sucesso.

Nos últimos anos alguns mosteiros brasileiros passaram a produzir suas próprias cervejas. O destaque é a premiada “Mosteiro”, do Mosteiro de São Bento de São Paulo, com dois sabores (Red e Golden), lembrando a influência dos monges alemães da congregação. A imagem ao lado mostra a cerveja e outros produtos do mosteiro.

O mosteiro da congregação americano-cassinense de Vinhedo, oferece uma saborosa cerveja, assim como também o Mosteiro de São Bento de Brasília.

Estas bebidas, assim como outras iguarias monásticas, como pães, bolos e biscoitos, podem ser adquiridas em  lojas nos próprios mosteiros.

Saúde, mas beba com moderação! 

sábado, 31 de outubro de 2020

PADRE JOFRÉ: O FUNDADOR DO PRIMEIRO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO DO MUNDO

A Ordem Real, Celestial e Militar de Nossa Senhora das Mercês para a Redenção dos Cativos, também conhecida como Ordem de Nossa Senhora das Mercês (em latim, Ordo Beatae Mariae de Mercede redemptionis captivorum) foi fundada em 1218 por São Pedro Nolasco, na cidade de Barcelona. 

Além dos votos tradicionais de pobreza, castidade e obediência, os seus membros fazem um quarto voto: morrer, se preciso for, por quem estiver em perigo de perder a fé. Trabalhavam muito para resgatar os cristãos escravizados por muçulmanos. 

Na sexta-feira, 24 de fevereiro de 1409, um de seus membros, o Padre Juan Gilabert Jofré saía do convento dos mercedários em Valência, na Espanha, rumo à catedral da cidade. 

No caminho, viu um grupo de jovens zombando e agredindo um homem - aos berros, chamavam-no de “louco, louco!”.

De fato, era visível que se tratava de um homem com distúrbios mentais. O padre, corajosamente, afugentou os agressores, e levou o homem para o convento.

A partir dai o Padre Jofré passou a se preocupar com pessoas que tinham problemas mentais, a ponto de começar a trabalhar para criar um hospital para elas. O Papa Bento XIII soube da iniciativa e autorizou a obra, determinando a dedicação do hospital aos Santos Mártires Inocentes.

Em 1º de junho de 1410, nasceu o Hospital dos Inocentes para acolher não só doentes mentais, mas também pobres e crianças abandonadas. A capela do hospital foi dedicada a Nossa Senhora dos Desamparados.

Esse foi o primeiro hospital do mundo em fornecer tratamento e residência a doentes mentais, e se tornou o atual Hospital Universitário de Valência.

O Padre Jofré faleceu em 18 de maio de 1417, aos 67 anos.  

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domingo, 25 de outubro de 2020

AUMENTA O SOFRIMENTO DOS CRISTÃOS NA CHINA

A China tem sido objeto de admiração pelo
seu grande progresso científico e tecnológico,  bem como pelo seu crescimento econômico.

Mas essa admiração não deve ser incondicional; devemos observar o que sofrem os cristãos daquele país, que é uma ditadura.

Na China, a educação religiosa de qualquer pessoa com menos de 18 anos é ilegal. Isso significa que as aulas de Catecismo são proibidas e os menores não podem entrar nas igrejas, que são monitoradas por câmeras ligadas à rede de segurança pública.

Os padres tem sido forçados a frequentar cursos de treinamento do governo; aqueles que se recusam a apoiar o Partido Comunista, são presos.

Outros grupos religiosos, também tem sofrido muito, particularmente os muçulmanos uigures, que sofrem trabalhos forçados, doutrinação, esterilização, aborto forçado e tortura em campos de detenção.

O objetivo repetidamente declarado do governo do país,   é interferir nas religiões, difundindo “teorias religiosas de caráter chinês” junto àqueles que professam qualquer religião.

Nessa linha, no caso das igrejas cristãs, há determinações para remover menções aos Dez Mandamentos e substituí-las por  dizeres do  antigo ditador Mao Tsé-tung e do atual, Xi Jinping.

Interesses ideológicos fazem com que poucas informações acerca desses temas sejam mencionadas por nossa grande imprensa.

Devemos permanecer vigilantes e orar para que essa situação seja superada


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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

MAIS DUAS IGREJAS INCENDIADAS NO CHILE

Mais duas igrejas foram incendiadas por criminosos no Chile durante manifestações no domingo, 18 de outubro.

Um dos templos destruídos foi a Igreja da Assunção, uma das mais antigas da capital, datada de 1876. A outra foi a capela dos Carabineiros (Polícia Militar), dedicada a São Francisco de Borja.

Acerca do assunto, disse o Padre José
Eduardo de Oliveira
em sua página no Facebook:

A queima de Igrejas no Chile é uma demonstração de que o laicismo não veio para brincar. É uma ideologia assassina, que se vitimiza diante da moral bíblica apenas como arma retórica para legitimar a perseguição sistemática ao cristianismo.

Infelizmente, muitos trocaram os fundamentos da fé pelos pressupostos laicos, desconstruindo a teologia cristã a partir de categorias emprestadas do marxismo atual, travestido de eco-feminismo. Isso não é uma brincadeira! 

Primeiro, queimam a teologia católica; depois, queimam Igrejas”.

Apesar de surpresos pela falta de manifestação de alguns, que por dever de ofício estão obrigados a falar acerca do assunto, devemos estar atentos para combater as causas e aqueles que praticam crimes como esses, que provavelmente pretendem também queimar cristãos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

EM 22 DE OUTUBRO, COMEMORAMOS SÃO JOÃO PAULO II

João Paulo II nascido Karol Józef Wojtyła e desde 2014, São João Paulo II, nasceu em Wadowice, Polônia, em 18 de maio de 1920 e morreu no Vaticano em 2 de abril de 2005.

Teve uma juventude difícil, com os nazistas ocupando seu país natal. Mais tarde, já prestes a ser ordenado, os comunistas tomaram o poder na Polônia, tornando extremamente difícil a vida para os cristãos.

Estudou muito, tendo obtido doutorados em Filosofia e Teologia.

Foi eleito Papa em 16 de outubro de 1978 e teve   o terceiro maior pontificado, ficando à frente da Igreja  por 26 anos, 5 meses e 17 dias, depois dos papas São Pedro, cujo pontificado durou cerca de 37 anos, e Pio IX, que liderou por 31 anos. Foi o  primeiro Papa não italiano desde o holandês  Adriano VI, eleito em 1522. 

Devoto de Nossa Senhora, adotou como lema a expressão latina totus tuus (todo seu), que tem sua origem nos escritos de São Luís Maria Grignion de Montfort e significa a consagração total à Virgem Maria. Também colocou em seu brasão a letra M, em alusão a Maria.

João Paulo II foi  um dos líderes mais influentes do século XX: teve papel fundamental para o fim do regime comunista  em toda a Europa e para a queda de diversas ditaduras ao redor do mundo.

Também trabalhou muito para    a melhoria das relações da Igreja Católica com outras religiões, como o   judaísmo e o islamismo e com igrejas cristãs, como a  Ortodoxa,  Luterana,  Anglicana e outras.

Muito culto, falava 13 idiomas. Trabalhou muito,  tendo visitado 129 países durante o seu pontificado; fez três visitas oficiais ao Brasil e em uma viagem à Argentina, fez escala em nosso país.

Sofreu vários atentados, o mais grave em 1981  quando foi baleado na Praça de São Pedro, no Vaticano. Atribuiu sua salvação a Maria, tendo mais tarde depositado  uma das balas que o atingiu no altar de Nossa Senhora, em Fátima. Mais tarde, visitou seu agressor na prisão, perdoando-o. 

Mesmo no final de sua vida, com a saúde debilitada pelo Mal de Parkinson, não esmoreceu na tarefa de servir a Deus e à Igreja.

Em 27 de abril de 2014, numa cerimônia inédita presidida pelo Papa Francisco, e com a presença de seu sucessor, o Papa Emérito Bento XVI, foi declarado Santo juntamente com o Papa João XXIII; sua festa litúrgica celebra-se no dia 22 de outubro.


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UM MARAVILHOSO EXEMPLO DE INCLUSÃO

A congregação das Irmãzinhas Discípulas 
do Cordeiro (Le petites soeurs disciples de l’Agneau, em francês) nos dá um exemplo de inclusão: recebe jovens portadoras da Síndrome de Down que desejam consagrar-se a Deus.

As irmãs que integram esta congregação abraçam a vocação religiosa contemplativa seguindo os carismas de São Bento (com o seu lema “Ora e trabalha“, ou “Ora et labora“) e de Santa Teresinha do Menino Jesus, conhecido como “O pequeno caminho”.

Irmãs com ou sem a síndrome convivem na mesma comunidade, sob as mesmas regras, testemunhando com a própria vida que Deus chama todos à santidade.

A comunidade surgiu em 1985 a partir do
trabalho da madre Line, atual priora, e da irmã Veronique, jovem com síndrome de Down que hoje é religiosa, mas que, na época, não era aceita por outras congregações, que não se consideravam preparadas para receber uma postulante com a síndrome.

A congregação  recebeu aprovação definitiva por parte do bispo de Bourges, dom Armand Maillard. Para a celebração das Santas Missas e demais sacramentos, a comunidade recebe assistência do mosteiro beneditino de Fontgombault.

Ao comemorar os 20 anos da fundação, em 2005, o bispo dom Pierre Plateau assim declarou às irmãzinhas:

Porque ama vocês, Jesus as chamou; provavelmente porque quer que a sua pequena comunidade mostre a um mundo propenso a ser muito egoísta que Deus é terno para com todos os que O reconhecem e que os pequenos são capazes de demonstrar muito amor, inclusive mais do que outros. Esta é a sua maneira de proclamar a Boa Nova”.

A encíclica Evangelium Vitae (O Evangelho da Vida), do Papa São João Paulo II, nos diz a este respeito:

A coragem e a serenidade com que muitos irmãos nossos, afetados por graves deficiências, conduzem a sua existência quando são aceitos e amados por nós constituem um testemunho particularmente eficaz dos valores autênticos que qualificam a vida e, mesmo em condições difíceis, a tornam preciosa para a própria pessoa e para os outros”.

Sem dúvida, um exemplo a ser seguido.


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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

SANTO ANTONIO MARIA CLARET: UM HOMEM DE AÇÃO

Em 1807, nasceu em Sallent, uma cidade da
região da Catalunha, na Espanha, Antônio Maria Claret.

Desde muito jovem trabalhou como tecelão e depois como tipógrafo, mas desde adolescente sentiu um forte chamado para a vida religiosa. Em função disso, decidiu acrescentar o nome "Maria" ao seu, como forma de testemunhar que dedicaria sua vida a Nossa Senhora.

Aos 21 anos entrou no Seminário de Vic, próximo à sua cidade natal. Seu objetivo era se tornar monge cartuxo, mas um padre percebeu sua vocação missionária e  disse-lhe que assim seria mais útil à Igreja do que se adotasse a vida monástica.

Antônio Maria Claret obedeceu e foi ordenado em 1835, sendo nomeado pároco de sua terra natal. Ali, ficou durante quatro anos.

Depois disso, foi para Roma, mais precisamente para a Propaganda Fide (Propagação da Fé), um órgão da Igreja que ocupa-se das questões referentes à divulgação da fé católica no mundo inteiro.

Nesse ministério, viveu anos de árduo trabalho, especialmente nas Ilhas Canárias, uma região da Espanha onde o trabalho missionário era muito difícil. 

Ali, contribuiu para o desenvolvimento da ilha e denunciou o racismo e injustiças sociais, em função do que chegou a sofrer um atentado.

No ano de 1849, junto com outros cinco jovens padres, ele fundou a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria.

Seus membros são conhecidos como Padres
Claretianos, que em São Paulo administram um colégio e a Paróquia Imaculado Coração de Maria, no bairro de Higienópolis. Sua igreja foi construída por eles entre os anos de1897 e 1899 e a foto ao lado mostra-a e ao colégio, logo após o final de sua construção.

Pouco tempo depois da fundação da Congregação, a diocese de Cuba, que abrangia todo aquele país, vivia tempos de enormes dificuldades - estava sem bispo há quatorze anos. 

Assim, no mesmo ano da fundação da Congregação, o Padre Antônio Maria Claret foi nomeado seu arcebispo.

Em Cuba, passou sofrer toda a sorte de pressões, especialmente por parte dos maçons, que várias vezes atentaram contra sua vida, através de incêndios, envenenamento e ataques à mão armada.

Mas Antônio Maria Claret sempre escapou ileso e continuou seu trabalho. Restaurou o velho seminário cubano, que, por causa de seu exemplo de santidade, passou a receber inúmeras vocações. Apoiou negros e índios, tornados escravos e procurou libertá-los.

Visitou todas as cidades e vilas do país, crismou 100 mil pessoas fez 9 mil casamentos. Devido ao seu empenho missionário, Cuba ganhou várias outras dioceses.

No ano 1855, com o auxílio da madre Antônia Paris, fundou uma nova congregação religiosa, que passou a se chamar Congregação das Irmãs de Ensino Maria Imaculada, que mais tarde passaram a ser chamadas Irmãs Claretianas.

Em 1857 voltou a Madri, deixando a Igreja de Cuba mais fortalecida, unida e resistente. Em sua volta à Espanha, a rainha Isabel II pediu que ele passasse a ser seu confessor. Mesmo sem querer tal cargo para não se envolver com política, aceitou, vendo nisso um chamado de Deus.

No ano 1868 a Rainha foi deposta por uma revolução e exilou-se na França, para onde também se retirou o bispo.

Santo Antônio Maria Claret morreu caos 63 anos, em 24 de outubro do ano 1870, deixando uma numerosa e importante obra escrita, que inspira e dirige almas até os dias de hoje.

Sua beatificação foi celebrada pelo papa Pio XI, que chamou-o de "precursor da Ação Católica do mundo moderno". Foi canonizado por Pio XII em 1950.


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