quarta-feira, 9 de março de 2022

Santo Agostinho nos fala sobre a morte

Santo Agostinho é um dos pensadores mais importantes da Cristandade. Viveu por volta de 400 d.C. e suas obras têm sido estudadas em todo o mundo. 

Suas reflexões  sobre a morte são muito importantes; longe de serem algo sombrio, triste, desesperador,  elas transmitem um sentimento de serenidade e esperança, como se pode ver no texto abaixo:

“A morte não é nada.

Eu somente passei

para o outro lado do Caminho.


Eu sou eu, vocês são vocês.

O que eu era para vocês,

eu continuarei sendo.


Me dêem o nome 

que vocês sempre me deram,

falem comigo

como vocês sempre fizeram.


Vocês continuam vivendo

no mundo das criaturas,

eu estou vivendo

no mundo do Criador.


Não utilizem um tom solene

ou triste, continuem a rir

daquilo que nos fazia rir juntos.


Rezem, sorriam, pensem em mim.

Rezem por mim.


Que meu nome seja pronunciado

como sempre foi,

sem ênfase de nenhum tipo.

Sem nenhum traço de sombra

ou tristeza.


A vida significa tudo

o que ela sempre significou,

o fio não foi cortado.

Porque eu estaria fora

de seus pensamentos,

agora que estou apenas fora

de suas vistas?


Eu não estou longe,

apenas estou

do outro lado do Caminho…


Você que aí ficou, siga em frente,

a vida continua, linda e bela

como sempre foi.” 

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terça-feira, 8 de março de 2022

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2022

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a Campanha da Fraternidade de 2022, com o tema "Fraternidade e Educação" e o lema "Fala com sabedoria, ensina com amor". 

O objetivo da Campanha vai além da discussão dos problemas na educação e propõe também "refletir sobre os fundamentos do ato de educar na perspectiva católico-cristã".

"Educação é pilar da paz e por isso precisa receber sempre mais investimentos significativos de governantes, empreendedores, instituições, de todos os setores", destacou o presidente da CNBB, Dom Walmor Oliveira de Azevedo. 

Este ano a Campanha da Fraternidade é impulsionada pelo Pacto Educativo Global, convocado pelo Papa Francisco, que recomenda a busca da formação de pessoas abertas, integradas e interligadas, que sejam também capazes de cuidar do meio ambiente.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Um cego não pode guiar outro cego - Evangelho do 8º domingo do Tempo Comum

Refletindo acerca do Evangelho desse domingo (Lucas, 6, 39-45) podemos chegar à conclusão de que muitas vezes  nos convertemos em especialistas em corrigir as pessoas, em apontar os seus erros como se fôssemos perfeitos.

Nem sempre nos preocupamos em corrigir nossos próprios defeitos, e nos apresentamos como modelo de perfeição que deve ser seguido pelos demais. 

No Evangelho desse domingo Jesus está denunciando essa nossa pretensão de querer guiar os outros, sem estarmos aptos para isso;  somos como cegos querendo guiar outros cegos.

O texto completo desse Evangelho é: Naquele tempo, Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? Nenhum discípulo é maior do que o mestre; e todo discípulo bem formado será como o seu mestre. Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção na trave que há no seu próprio olho? Como é que você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando você não vê a trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu próprio olho, e então você enxergará bem, para tirar o cisco do olho do seu irmão. Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons; porque toda árvore é conhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem se apanham uvas de plantas espinhosas. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, mas o homem mau tira do seu mal coisas más, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio”.

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Você sabe por que o crucifixo está à frente da procissão de entrada?

Levada em procissão no início da 
Missa, a cruz processional indica a todos os presentes que é Cristo quem nos mostra o caminho, e como um bom pastor, orienta a direção da marcha.

A pessoa que carrega a cruz é chamado "crucífero", e deve conduzi-la bem alta, para que seja visível a todos na igreja.

Quando o número de acólitos o permite, usa-se também o incensário ou turíbulo; a fumaça gerada pela queima do incenso representa as orações dos fiéis se elevando a Deus. Quem o carrega é chamado "turífero".

Já os "ceroferários", são aqueles que carregam velas acesas, mostrando à assembleia que Cristo é a luz do mundo.

À chegada ao altar, o crucífero coloca a cruz processional em local adequado; após a celebração, durante a procissão de saída, a cruz também vai em primeiro lugar.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Crime: político comanda invasão de igreja em Curitiba


No último final de semana, em Curitiba, um vereador da cidade (Renato Freitas, PT) liderando um grupo de manifestantes invadiu a Igreja Nossa Senhora do Rosário, no centro histórico da capital, interrompendo uma Missa para um ato que reivindicava a apuração da morte de um cidadão congolês que ocorreu no Rio de Janeiro.

Deve-se lembrar que invadir um espaço sagrado, católico ou não é um ato de desrespeito, imoral e criminoso.

O Papa já nos lembrou que Jesus Cristo nunca incentivou a violência ou a intolerância; pelo contrário, sempre condenou o uso da força como está no Evangelho: “Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós” (Mt 20, 25-26).

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

O Cardeal Dom Sérgio da Rocha nos adverte sobre os perigos da moda

O Cardeal Dom Sérgio da Rocha, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, em artigo publicado no jornal "A Tribuna", de 30 de janeiro, nos alerta sobre a ditadura da moda: 

"Andar na moda, adquirindo e consumindo os últimos lançamentos do mercado, torna-se frequentemente o sentido da vida para muitos. A moda não se reduz ao modo de se vestir, embora nele se expresse com particular intensidade. Abrange produtos, costumes e gostos que tendem a se impor e a se padronizar com os modernos recursos de marketing no mundo globalizado. A moda pode se tornar uma espécie de poder que controla e manipula a vida das pessoas e exclui os que não se submetem aos seus padrões. Por isso, muitos já se referiram a uma espécie de “ditadura da moda”, com suas várias facetas.

O modo de vestir-se e de calçar, de comer e beber, de divertir-se, de decidir qual filme assistir ou qual música ouvir, é facilmente marcado pela última moda. As “modas” passam porque não são capazes de saciar a sede de sentido para a vida e de verdadeira felicidade. A equação entre consumir e ser feliz tem alimentado o consumismo, que na prática se revela incapaz de assegurar a felicidade prometida pela aquisição e consumo de bens. É natural que aqueles que vivem em sociedade compartilhem ideias e costumes do próprio contexto histórico e cultural, o que é um fator importante de identidade. Contudo, quando a moda se impõe, especialmente, aliada ao consumo desenfreado, as pessoas acabam perdendo suas notas essenciais, a própria identidade, a liberdade, a capacidade de pensar e discernir criticamente. Arrasta consigo o atrofiamento da singularidade da pessoa humana, obscurecendo o que faz dela “imagem e semelhança” de Deus.

Os modismos favorecem a despersonalização, a perda ou fragmentação da identidade. Um dos aspectos mais fortes da ditadura da moda é a ditadura da beleza ou do corpo perfeito, concebido segundo um padrão estético ideal, objeto de intenso marketing. Tal padrão tem tornado infeliz muita gente que não consegue alcançá-lo, especialmente, adolescentes e jovens que dele se distanciam e, por isso, chegam a entrar em crise, mas até mesmo pessoas idosas que não se dispõem a assumir serenamente as marcas do tempo. O modo como alguém vê a si próprio tem consequências enormes na própria vida. Há quem se avalia e dirige os seus passos unicamente em função do que os outros pensam e dizem a seu respeito, principalmente, sobre a sua aparência física e não a partir de uma justa visão de si mesmo. A ditadura da moda se revela fortemente como ditadura da beleza corporal ideal. O justo cuidado com a aparência pode ser um fator de autoestima e bem-estar psicológico. O excesso no cuidado estético tende a produzir pessoas infelizes, com baixa estima de si.

É importante, hoje, resgatar a simplicidade de viver e o cultivo da beleza que permanece e se fortalece com o passar da idade, deixando-se conduzir por Deus, aquele que permanece enquanto a moda passa."

É útil refletirmos sobre o assunto.

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Jesus cumpre a profecia: 4º Domingo do Tempo Comum

O tema da liturgia deste domingo convida a refletir sobre o “caminho do profeta”: caminho de sofrimento, de solidão, de risco, mas também caminho de paz e de esperança, porque é o caminho onde Deus está. 

Esta  liturgia assegura-nos que a última palavra será sempre de Deus: “não temas, porque Eu estou contigo para te salvar”.

A primeira leitura apresenta a figura do profeta Jeremias. Escolhido,consagrado e constituído profeta por Deus, Jeremias vai enfrentar todo o tipo de dificuldades, mas não desistirá de concretizar a sua missão e de tornar a palavra de Deus uma realidade viva no meio dos homens.

A segunda leitura nos fala do amor – o amor desinteressado e gratuito – apresentando-o como a essência da vida cristã. 

Pode ser entendida como um aviso para que nos deixemos guiar pelo amor e nunca pelo próprio interesse. Só assim a nossa missão fará sentido.

O Evangelho apresenta-nos Jesus como profeta, desprezado pelos habitantes de Nazaré, que esperavam um Messias espetacular e não entenderam a proposta profética de Jesus. 

O episódio anuncia a rejeição de Jesus pelos judeus e o anúncio da Boa Nova a todos os que estiverem dispostos a acolhê-la – sejam pagãos ou judeus.

Jesus já profetizara sua rejeição, conforme dizem, direta ou indiretamente,  os quatro evangelistas: Mateus (13,57), Marcos (6,4) Lucas (4,24) e João (4,44).

O episódio é tão marcante que gerou a frase latina "Nemo propheta in patria" (Ninguém é profeta em sua própria terra), que é usada em inúmeros contextos.

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