domingo, 31 de maio de 2020

EDITH STEIN: SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ

Edith Theresa Hedwig Stein nasceu em 1891 na cidade alemã de Breslau, hoje pertencente à Polônia; é chamada agora Wroclaw.

Nascida em uma família judia, foi deixando a religião a partir da adolescência, tendo se dedicado aos estudos e ao ensino, especialmente na área da filosofia, doutorando-se nessa área.  Durante a Primeira Guerra Mundial, juntou-se à Cruz Vermelha onde atuou como auxiliar de enfermagem em um hospital de doenças infecciosas.


Em uma noite de insônia,  no ano de 1921, passando férias em casa de amigos, procura um livro e encontra a obra de Santa Teresa de Jesus (Santa Teresa de Ávila, que coincidentemente também vinha de família judia), o "Livro da vida", que muito a impressionou; logo providencia um missal e um  catecismo que estuda  cuidadosamente.

Segue estudando, especialmente nossa religião, traduzindo para o alemão obras do cardeal John Henry Newman, de que já falamos em outro post.


Em 1934, ingressa no Carmelo, na cidade alemã de Colônia, adotando o nome de Teresa Benedita da Cruz. 

Ali  continuou escrevendo e estudando muito; dessa época é seu livro "Ser finito e ser eterno", uma obra sobre o homem e Deus.

No dia 21 de abril de 1935, domingo de Páscoa, faz seus votos   temporários, fazendo os definitivos em 1938, ano em que devido à perseguição dos nazistas às pessoas de origem judaica, foi transferida para o Carmelo holandês de Echt - ali aprendeu seu sétimo idioma, o holandês. Sempre estudando e escrevendo publica artigos sobre a história do Carmelo e seu livro mais importante, "A ciência da cruz"; a respeito do tema ela escreveu que "os que tem fé e confiança progridem, sustentam suas vidas e os que não tem fé não aceitam, se desesperam e se perdem".

Vários de seus parentes, irmãos, cunhada e sobrinha, foram mortos pelos nazistas em campos de concentração. Em 1942, ela e sua irmã Rosa, que também havia se convertido e estava com ela no Carmelo de Echt, foram presas pelos nazistas e levadas ao campo de concentração de Auschwitz, onde no dia 9 de agosto foram mortas em uma câmara de gás -  três dias antes de sua morte, tinha dito: “Aconteça o que acontecer, estou preparada. Jesus está aqui conosco”. 

No dia 1º de maio de 1987 foi  beatificada em Colônia por João Paulo II, e em 11 de outubro de 1998 foi canonizada pelo mesmo Papa, sob o nome de Santa Teresa Benedita da Cruz.

Na pedra d'ara do Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, há uma relíquia de Santa Teresa, que nos foi doada pelo então Reitor, Padre Alberto Simionato, como já dissemos em outro post

quinta-feira, 28 de maio de 2020

BEATO CHARLES DE FOUCAULD - UM EXEMPLO DE VIDA CRISTÃ

Charles Eugène de Foucauld de Pontbriand nasceu em Strasbourg, França, em 1858. De uma família de aristocratas, perdeu os pais aos seis, anos, tendo sido criado por seu avô materno, que era militar. 

Tornou-se oficial do exército, passou a levar uma vida de pecado - tinha muito dinheiro disponível, pois recebera uma herança de seu avô. Foi transferido para a Argélia, que pertencia à França; aos 23 anos, resolveu explorar o norte da África; recebeu uma medalha concedida pela Sociedade Francesa de Geografia em reconhecimento pelos seus trabalhos. 

Mais tarde, uma prolongada reflexão sobre a vida espiritual conduziu-o à conversão em 1886, tornando-se membro da Ordem Trapista, pela qual viveu na França e na Síria. Deixou os trapistas em 1897, e foi ordenado em 1901.
Foucauld em 1907
Regressou à Argélia, passando a viver com o povo tuaregue, buscando evangelizá-lo não apenas com sermões, mas através de seu exemplo de vida.  

Estudou muito a cultura daquele povo, tendo  publicado o primeiro dicionário tuaregue-francês. Estudou o léxico e a gramática da língua tuaregue, além de seus cantos e tradições; seus trabalhos tornaram-se referência para o estudo da cultura desse povo.

Charles de Foucauld era bastante crítico com referência à colonização francesa no norte da África: denunciava a exploração do povo, bem como a falta de investimentos e de apoio ao desenvolvimento da região. Também criticava  a omissão das autoridades coloniais no combate à escravidão, que ainda existia na região; enfim, desenvolvia um intenso trabalho missionário

Foucauld, que vivia como eremita, foi assassinado por rebeldes em 1916. Logo foi considerado um mártir e, nos anos seguintes, sua memória passou a ser venerada.
Última foto de Foulcaud (1915)
Em 1933 foi fundada a Congregação dos Pequenos Irmãos de Jesus, cuja espiritualidade se inspira nos ensinamentos de Foucauld; seus membros fazem os votos de pobreza, castidade e obediência à Igreja, buscando trabalhar junto aos pobres e compartilhar suas  condições de vida.  

Um dos membros da Congregação foi Jacques Maritain, filósofo e pensador católico, amigo de Paulo VI,  que foi embaixador da França no Vaticano, e que já de idade avançada e viúvo ingressou na Congregação. 

Em 1939, a Irmã Madalena de Jesus fundou a Fraternidade das Irmãzinhas de Jesus de Carlos de Foucauld, inspirada no exemplo de vida de Foucauld; além dessas duas, mais oito congregações foram criadas baseadas em seu exemplo.

Seu processo de beatificação começou em 1927, tendo sido interrompido durante a guerra de independência da Argélia e posteriormente retomado; foi declarado venerável em  2001 pelo Papa João Paulo II e beatificado pelo Papa Bento XVI em  2005.

Há um excelente portal com mais detalhes acerca dessa figura maravilhosa: visite-o!

domingo, 24 de maio de 2020

NUESTRA SEÑORA DE COPACABANA - PADROEIRA DA BOLÍVIA

Encerrando o Mês de Maria, vamos lembrar mais uma invocação da Virgem:  Nuestra Señora de Copacabana  (Nossa Senhora de Copacabana) ou Virgen Candelaria de Copacabana, venerada na cidade de Copacabana, na Bolívia.

Padres dominicanos eram os responsáveis pela evangelização da região, desde 1539. O povo que ali vivia, descendente dos antigos incas, foi sendo convertido, tendo os dominicanos despertado nele uma forte devoção mariana.

O inca Tito Yupanki, morador do local, resolveu esculpir em argila uma imagem da Virgem, a ser colocada na pequena igreja que estava sendo construída. Tito porém  nada sabia sobre escultura e a imagem ficou muito feia; compadecido, o pároco colocou-a ao lado do altar, mas o pároco seguinte colocou-a em um canto da sacristia.

Tito (imagem ao lado) ficou muito triste, mas não desistiu: foi a Potosi, então uma cidade importante da Bolívia e ali tomou aulas de escultura,  produzindo finalmente uma bela estátua em madeira, que chegou a Copacabana em 1583.  Tito inspirou-se em uma imagem de Nossa Senhora do Rosário, existente no Convento de São Domingos, em Potosi. 

A imagem tem cerca de um metro e trinta centímetros de altura e seus trajes relembram os usados pelas mulheres da nobreza inca.

Em 1925, o Papa Pio XI declarou-a "Rainha da Nação". É também a padroeira da Polícia e da Marinha bolivianas, que lhe deram os títulos de General e Almirante. 

Há uma tradição interessante: as pessoas que vão ao seu Santuário (foto ao lado), inaugurado em 1805, ao retirarem-se caminham de costas, pois entendem ser um desrespeito dar as costas à Virgem.  

O bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro deve seu nome a ela: dizem que no século XVII um  minerador boliviano voltava da Europa em um navio que começou a afundar; devoto da Virgem, ele e os demais que estavam a bordo pediram a ela que os  salvasse, o que aconteceu

Como agradecimento, construíram uma capela num lugar então chamado Sacopenapã onde mais tarde se entronizou uma imagem da Virgem, vinda da Copacabana boliviana - o local acabou se tornando a Copacabana carioca.  

sexta-feira, 22 de maio de 2020

EM 24 DE MAIO LEMBRAMOS NOSSA SENHORA AUXILIADORA

Esta invocação mariana remonta ao ano de 1571, quando Selim I, imperador dos turcos, depois de conquistar várias ilhas do Mediterrâneo, preparava-se para atacar o restante da Europa.
Para enfrentar essa ameaça,  o Papa São Pio V organizou uma  esquadra para tentar salvar os cristãos da iminente escravidão muçulmana; o comando dessa esquadra foi dado ao Príncipe   Dom João D’Áustria.
O Papa enviou ao Príncipe um estandarte bordado com a imagem de Jesus crucificado e a recomendação de que ele e seus homens pedissem a proteção e o auxílio de Nossa Senhora, pois o inimigo era superior em número.  
No dia 7 de outubro de 1571, invocando o nome de Maria, Auxílio dos Cristãos, os combatentes católicos travaram dura e decisiva batalha nas águas da região de Lepanto. Depois de horas de violentos combates quando, em vários momentos, a derrota parecia iminente, veio a vitória. Foi uma batalha terrível, com quase 500 navios envolvidos e cerca de 38 mil mortos.
Narram as crônicas dos derrotados que uma “formosa senhora” foi vista no céu e que seu olhar fulminante espalhava pânico entre eles e alimentava o ânimo e disposição  dos cristãos.
Quanto a D. João D'Áustria, morreu em 1578, aos 33 anos, não se sabe ao certo se de tifo ou de peste. Dentre os que combateram naquela ocasião, estava o escritor Miguel de Cervantes, autor do "Dom Quixote".  
Nossa Senhora Auxiliadora é comemorada em  24 de maio.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

A ASCENSÃO DO SENHOR E A CERTEZA DE SUA VOLTA

A Ascensão, comemorando a subida de Jesus aos céus, é uma solenidade litúrgica comum a todas as Igrejas cristãs,  e é celebrada 40 dias depois da Páscoa.

Ela aconteceu na 5ª feira, 21 de maio; em alguns países, como no Brasil, é comemorada no domingo seguinte, para permitir a participação de um maior número de fiéis.

Com a Ascensão conclui-se a presença de Cristo no contexto histórico. Retornando ao Pai, Jesus fecha um ciclo,   a sua existência humana, para voltar aos céus, mesmo permanecendo vivo e presente na Igreja. 

Já o lugar do cristão é o mundo, para anunciar a palavra de Jesus, para anunciar que fomos salvos, que Ele veio para nos dar a graça, para nos levar todos com Ele para diante do Pai”.  

Os Evangelhos falam pouco da Ascensão: Mateus e João terminam suas narrações com a aparição de Jesus depois da Ressurreição; Marcos dedica-lhe a última frase do texto, enquanto Lucas fala muito mais, principalmente nos Atos dos Apóstolos.
Nos Atos, Lucas detalha como Jesus conduz os apóstolos para Betânia e ao chegar ao Monte das Oliveiras (chamado por isso Monte da Ascensão) os abençoa e fala a todos antes de subir ao céu e retornar ao Pai.  
A celebração da Ascensão tem origens antigas e  é influenciada pela tradição judaica. Inicialmente  acontecia em Belém para evidenciar que tudo tinha começado ali e era unida à festa de Pentecostes, celebrada na tarde do mesmo dia - mais tarde, ao redor do século V, já eram datas separadas. 
Em Pentecostes, lembramos a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, sua mãe Maria e outros seguidores. O Pentecostes é celebrado 50 dias depois do domingo de Páscoa, e ocorre no sétimo dia depois da  Ascensão. Em outro post já falamos de Pentecostes.

Ao final da Audiência Geral de 20 de maio, o Papa Francisco falou sobre a  Ascensão,  destacando que o ensinamento da palavra de  Cristo e seu anúncio na vida diária devem ser o ideal e o compromisso de cada um de nós.

domingo, 17 de maio de 2020

SÃO JOHN HENRY NEWMAN

Nosso Reitor, o Padre Alberto, citou recentemente em uma de suas homilias São John Henry Newman, acerca do qual falaremos neste post.


Nascido em Londres em 1821, estudou e posteriormente lecionou na Universidade de Oxford, uma das mais importantes do mundo; foi ordenado sacerdote da Igreja Anglicana, à qual serviu como vigário da importante igreja de St. Mary the Virgin (Santa Maria Virgem) de 1828 a 1843 - era a igreja da Universidade de Oxford.

Dotado de formação intelectual muito sólida, tornou-se um dos líderes do "Movimento de Oxford", composto por anglicanos que se preocupavam com a decadência espiritual de sua Igreja, laicizada e submetida ao controle do rei da Inglaterra, que podia, entre outras coisas, nomear e retirar bispos, criar e extinguir dioceses. Problemas análogos aconteciam em nosso país, como dissemos em outro post

Suas reflexões, levaram-no a converter-se à Igreja Católica, na qual foi ordenado em 1847. Newman  buscava um cristianismo autêntico e considerou o catolicismo mais fiel às origens do cristianismo; sua conversão provocou uma comoção na Inglaterra. 

Foi um processo difícil, dolorido, tendo dito a respeito que "como protestante, a minha religião parecia-me miserável, mas não a minha vida. E agora, como católico, a minha vida é miserável, mas não a minha religião" - Bento XVI complementa dizendo que "sua conversão ao catolicismo exigiu-lhe o abandono de quase tudo o que lhe era caro e precioso: os seus haveres e a sua profissão, o seu grau acadêmico, os laços familiares e muitos amigos".

Teve uma produção intelectual impressionante e extremamente importante para nossa Igreja: suas obras completas ocupam 37 volumes, falando sobre os mais variados assuntos — teologia, filosofia, literatura, história, espiritualidade, educação; escreveu cerca de setenta mil cartas! Foi um dos criadores e reitor da Universidade Católica da Irlanda.

Foi chamado "O Apóstolo da Amizade", tendo refletido, escrito e pregado muito acerca desse tema, dizendo, em resumo, que é importante cultivar a verdadeira amizade, inicialmente com nossos parentes e com aqueles que estão próximos, iniciando um processo que chegará   até à amizade com Deus.  

Considerava os leigos como um elemento-chave na formação da Igreja, tema que em sua época não era  considerado importante e que apenas muitas décadas depois passou a ser prioritário para a Igreja.  Sobre os leigos, afirmou "quero um laicato não arrogante nem polêmico, mas  que conheça  a própria religião...   que conheça  bem a própria história para  poder defende-la".

Faleceu em 1890. Foi feito cardeal pelo papa Leão XIII em 1879 (curiosamente sem ter sido sagrado bispo), beatificado em 2010 pelo Papa Bento XVI e canonizado pelo Papa Francisco em 2019.

Na cerimônia de sua canonização, realizada na praça de São Pedro, esteve presente uma grande delegação de anglicanos, liderada pelo Príncipe Charles - a foto ao lado mostra o Papa cumprimentando eclesiásticos anglicanos durante a cerimônia. 

Disse o primaz e líder espiritual da Igreja Anglicana, o Arcebispo de Cantuária, Justin Welby: "vejo a canonização como um presente para todos os cristãos; o legado de São John Henry vai muito além de uma ou duas igrejas - é um legado global, um legado de esperança e verdade, da busca por Deus”.



  

DOM FULTON SHEEN FALA DE NOSSA SENHORA

Nosso reitor, o Padre Alberto Simionato, tem frequentemente citado Dom Fulton Sheen, um arcebispo americano que se destacou pelo seu trabalho de evangelização, usando o rádio a partir de 1930 e a TV posteriormente.

Nos primórdios da TV, as transmissões eram feitas ao vivo, sem edição e com poucos recursos técnicos, tendo ficado célebres os programas em que Dom Sheen, com o auxílio de giz e quadro negro, transmitia seus ensinamentos - muitos desses programas estão disponíveis no YouTube, em inglês - alguns legendados.

Podemos conhecer alguma coisa sobre a sua vida e obra visitando outro de nossos posts.  

Nesta publicação, trazemos um vídeo bastante curto, de cerca de 3 minutos, no qual Dom Sheen, usando sua oratória e senso de humor nos fala da importância de Nossa Senhora no processo de salvação das almas. Esse vídeo pode ser visto aqui.